quinta-feira, 16 de dezembro de 2010


Após enquadrar todo tipo de comércio ambulante por São Paulo, a prefeitura do estado e a polícia militar numa ação rotulada "operação delegada" (dezembro de 2009),  agora vem no forte intuito de banir astistas de rua que atuam em toda a região da Av. Paulista, alegando que estas manifestações artísticas também se enquadram nas irregularidades de comércio ilegal.
Como toda ação é seguida por uma reação... Uma manifestação artística pacífica foi proposta por Silvia Leblon, (Grupo IVO 60/MOVIMENTO PALHAÇADA) pelo direito CONSTITUCIONAL de fazer arte nas ruas e de passar o chapéu - porque gorjeta não é comércio, é doação! -, contra a "Operação Delegada" da Prefeitura e Polícia Militar de São Paulo, que inibe, proíbe e expulsa os artistas.

20 de dezembro de 2010, às 12h00
O cortejo sairá do MASP, seguirá até a esquina com a rua AUGUSTA, atravessará a avenida e voltará pela calçada do CONJUNTO NACIONAL até a altura da Gazeta, atravessará novamente a avenida e seguirá pela calçada de volta ao Masp.
Durante o cortejo, alguns artistas coletarão assinaturas da população em apoio à causa dos artistas de rua e distribuirão panfletos com os dizeres: EU APÓIO OS ARTISTAS DE RUA!
Todo o percurso será feito pelas calçadas sem intervir no fluxo de trânsito local de automóveis.


*Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;"

*Extraído da Constituição brasileira de 1988.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um Suave Aroma de Passado

Vou forjar a própria morte pra tentar esquecer um pouco da vida.
Vou aquecer esses panos, trocar esses lençóis. Vou fazer de conta que nada tem me afetado.
Volto pra casa, pelas ruas, bem cedo; Paisagens - um aroma de passado e, por um estranho e rápido segundo, tudo parece estar bem. Mais uma vez estou mentindo para mim mesmo. Mas tudo bem.
Uma taça de vidro, transbordando vinho barato. Me apoio na janela do nada para apreciar o caos enquanto Belchior me diz que o passado é uma roupa que não nos serve mais... 
EU, COM OS OLHOS MAREJADOS, COMPREENDO.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

lançamento À SOMBRA DO CORVO

“Tragam de volta nossos poetas mortos para que façam coro com aqueles que ainda cospem seus versos imundos e dissonantes no mundo dos vivos. Vamos dar as mãos em volta da fogueira de letras e sonetos sujos, cantar a vida e suas dores, contar os mortos e nossos amores. Venham de mãos dadas com o vento, buscando o alimento de suas vidas vazias. Tragam Augusto, Álvares, Byron, Josés, Marias e Antônios. Que venham Florbela, Hilda, Flávias e Joanas. Vamos morrer em poesias e prosas, e viver de nossas linhas mal escritas.”
A sinopse da obra já diz tudo.

Falemos em poesia e/ou prosa sobre o estranho, a morte, o funesto.

Dia 20 de novembro de 2010, na Fapcon, Rua Major Maragliano, 191 – Vila Mariana – São Paulo/SP, ocorrerá no evento JEDICON o lançamento da antologia poética À SOMBRA DO CORVO.
Para aqueles que apreciam a poesia e as fantasias insanas da vida, será um bom prato.
Além da obra citada, teremos o lançamento de mais dois títulos na mesma data, hora e local. Estou falando dos livros: HISTÓRIAS FANTÁSTICAS - Vol.1 e EXTRANEUS | MEDIEVAL SCIFI - Vol.1.
O evento terá inicio as 09h00min e terminará as 17h00min. Sendo que a seção de autógrafos com os autores será as 14h00min.

Obs. A Fapcon fica a 5 minutos da estação Vila Mariana.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

UMA TEMPORADA NO INFERNO

Em nuvens de fogo, mil homens desceram a terra, munidos com suas lanças celestiais, prontos para declinarem um novo paraíso. Na altura dos ombros, ostentavam luzes e nos lábios selados, sabedoria. No retorno aos céus, levavam consigo inertes almas nas costas.
Mil homens chegavam e partiam a todo instante. E o que em outrora fora uma doce terra de inverno, é hoje, por desventura do acaso, uma temporada no inferno.

10 de agosto de 2008
dimitry uziel

MAIS UMA DO CLAUDIO

mais uma do fantástico Claudio Mor

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

AS HORAS, O SONO E QUADROS BRANCOS

Não creio mais num sorriso plastificado dos dias incertos que tanto almejamos sem conhecer.
As horas são curtas, tristes e, talvez, sem esperança.
Não procurei uma felicidade de pedra que podemos somente apreciar com olhos lacrimosos seu vislumbre.
Na verdade dos dias, não cultivei falsas palavras de verão para colhê-las em qualquer primavera.
Voltei sem sono, sem mim, sem crer em lendas sobre estranhas verdades.
Um mundo vestindo o avesso transborda por meus olhos que já não sabem o que devem realmente ver.
Na parede onde descansam brandas lembranças, pendurei quadros brancos para uma história sem fim.
Estou de saída, novamente. E não quero voltar a acordar.
Na verdade, “não quero que isso aqui dentro de mim vá embora e tome outro lugar”

Parem o mundo, que eu quero descer!

dimitry uziel
26 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

FALA

Quero falar de vida, falar de voltar à vida quando tudo parece morto e sem cor.
Quero falar de minutos que resumem toda uma historia.
Quero falar das cores, do vento, do frio, da noite, dos pés que andam, dos lábios que dizem em silêncio.
Quero falar da dor que felizmente adormece.
Quero falar do que está vivo dentro do que é sublime, hoje, em mim.
Quero falar das pessoas, das danças, dos sorrisos, das bocas que se movimentam e não emitem som algum.
Quero falar da metade de tédio que me consome e da outra metade de esperança que me move.
Quero falar sobre estar vivo, sobre pairar, sobre o tempo e suas peças.
Quero falar sobre o retorno de toda história que termina sem um “fim”.
Quero falar das flores, da canção, da máquina, da fotografia.
Quero falar sobre os quadros que não vimos e sabemos que estão lá, parados.
Quero falar tudo que não pude ou não quis dizer por motivo algum no momento mais oportuno.
Hoje, mais do que nunca, preciso falar...

18 de outubro de 2010
dimitry uziel

TEMPO PARADO

A margem de tudo que me parece irônico; lugares, pessoas, céus e lares me aparentam mais ternos quando espaços são preenchidos, mesmo que por reticências indevidas.
Ostentamos tanto poder sem nada ter. E na minúcia dos detalhes, a calmaria vem branda, com gostosa brisa e aroma de passado a me acariciar.
Acalma-me a emoção. Confunde-me a razão. E tantas perguntas ficam assim, sem resposta.
Desventura se perdeu por trás de muros que não enxergo mais. Por ora, tudo a fazer deve ser com menor esmero e maior verdade.
Estou fluindo numa liberdade que desconheço, limitado como borboletas que vivem apenas dois dias da mais pura felicidade.

18 de outubro de 2010
dimitry uziel

PESSOA

Ambos à beira do poço
Achamos que é muito fundo.
Deita-se a pedra, e o que eu ouço
É teu olhar, que é meu mundo.

               ***

Leve sonho, vais no chão
A andares sem teres ser.
És como o meu coração
Que sente sem nada ter.

Fernando Pessoa

A HORA DO TREM PASSAR

Na cadencia das noites solenes, quase me entrego às lacunas que jamais se preenchem. Olho para a mesa onde descansam meus braços cruzados e recordo cada toque, cada detalhe, olhar, riso, até mesmo um sutil, quase que imperceptível trejeito das mãos que bailam soltas no ar.
Já na hora de me deitar, me corre pela lembrança, também, a vaga idéia de sempre estar. Mas me persegue também a indagação desgraçada: onde estar?
Quando as pernas se entrelaçam numa dança louca, num beco colorido, os braços perdem os sentidos e involuntariamente se encontram. A mente já não trabalha como deveria. É hora de o trem passar e uma doce quimera surgir.
Estrangula-me o cachecol negro de lá fina, o frio já não é tão cortante e meus braços continuam a fazer gestos involuntariamente.
A mesa ainda continua aqui, os braços, a lembrança e vinis que devo limpar...
Estou mais leve!

18 de outubro de 2010
dimitry uziel

terça-feira, 5 de outubro de 2010

AS CORES DA NOITE

Noite nublada, ruas luminosas, pessoas transitam sem um rumo certeiro...


Nas altas horas, quando achamos que lugares pequenos já conhecemos, nos deparamos com a beleza das noites e dos dias, com as cores e os traços disformes, mas que esbanjam delicadeza e perfeição. Muros altos, faces, peixes, malabares, poetas, palhaços, música, urbanização que transborda se mesclando ao surreal, pura magia. O colorido das imagens me desperta uma sensação incrível. Duas latas de cerveja e começamos um diálogo enternecido.

Tudo o que o estresse do dia-a-dia nos causa, lá é vetado. Pois nada de mal pode nos afetar entre as cores, as belas palavras poéticamente declamadas, os pinos de malabaristas e o acordeon do músico que embala o começo de noite.

A essência de cada coisa que ali nos esclarece parte da vida é como descobrir que tudo pode ser fantástico nos mínimos detalhes reunidos de uma forma hamoniosa e embevecida.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Saudade da calma.. Saudade das linhas das pipas dos meninos descalços


Vontade de ir novamente à Bahia.
Faz doze anos...

Havia lá uma poesia que o cansaço e as lamurias do meu estresse não me deixam sentir aqui.
A simplicidade de Vitória, a calma de Cândido, as linhas das pipas dos meninos descalços da Divisa Alegre...
Onde foi parar minha inocência?
Onde fui parar?
Onde se pára pra pensar?
Não se mede dor, rancor, tristeza.
Aqui dentro é um emaranhado de desesperança crônica e decepção.
Volto pra Bahia quando der.
Amo o "aqui", mas sinto saudade do "lá".
Foi ligeira minha estadia por aquelas bandas.
Mas me vertia dos poros a paz que não molha minha pele, aqui.
Volto pra Bahia assim que puder.
As imagens, o alçar voo dos balões de jornal, a balsa, o pequeno mangue, as trilhas e o lago.
Amei o que lá deixei.
Amo o que tenho aqui.
Mas, e o que me resta, onde fica, onde começa e onde termina?
Esse resto que nos resta é uma indagação infinita;
É chorar por mero acaso no quarto, sem porque.
Um dia desses, volto pra Bahia... Já que ela não me vem fazer uma rápida visita.

dimitry
22 de setembro 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

ORNIE


Uma das maravilhosas tirinhas do querido Claudio Mor. Cada dia mais fantásticas!

               Claudio Mor é cartunista e ilustrador.
               Atualmente publica a tira zerotreze pelo
               jornal O'Globo, em parceria com Arnaldo Branco

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Itaim Paulista e o Rock and Roll

Onde está o rock do Itaim Paulista? Não sei. Sinceramente, não sei!
O fato é que as bandas estavam aí para os eventos organizados por pequenas produtoras locais, por mais que essas produtoras extorquissem as bandas iniciantes e tal... Mas ainda assim, elas estavam por aí. Sempre se ouvia falar de uma banda que ia tocar ali e outra aqui...
Verdade seja dita: nós estamos mesmo é “parado”.
Algumas bandas permanecem por aí, mas se empenharam em tocar fora, tocar pelo centro de São Paulo, e isso é ótimo. Mas não podemos esquecer que ainda somos do Itaim Paulista e os velhos rockers ainda estão por aqui também. Por mais que tenhamos um grupo pequeno de pessoas que se interesse em ir assistir aos shows daqui, devemos voltar a febre de promover algo, sempre.

Boas novas acontecem... Uma das lendárias bandas o Itaim, o The Concept, está de volta (ensaios). Por mais que seja uma banda que escuto algumas críticas a respeito, eu admiro bastante. Esses caras fazem um barulho muito bacana. E por mais que haja crítica, eles são considerados "A lendária banda do Itaim" que já tocou por inumeras regiões de São Paulo e partes do Brasil.

Tivemos o SuperSad (bem legal), que se dissolveu e, em várias trocas de integrantes se transformou em Elevadores. Estão na ativa fazendo seus shows e com material de qualidade gravado (EP Tramando). E os caras são populares, hein(rsrs). Gosto demais de cada um desses caras.

                                                                               penultima formação
Temos o duo NoctVillains, formado pela vocalista Roxy Perrotta (15 anos de X-Devotion) e pelo lunático (rs) baixista Vagner Sousa (15 anos de The Concept “retornando”). Estes fazem suas apresentações intimistas, às vezes mascarados de Vilões a La anos 80. Com apenas Violão e Voz, mas bem PLUGADOS, fazem boas músicas. E têm material gravado. (Boas influências do velho rock). Estão divulgando o show Two Plugged.


Existe uma banda muito recente do GuitarMan Robson Gomes, que está no “vai ou não vai": Minha Vida Nunca Foi Um PicNic. Banda com som muito bom, com influências do blues e etc. Tocaram apenas uma vez no Itaim e infelizmente deram uma pausa. (Espero que voltem logo).

Miss Dorothy.  Uma banda que não tem um destino certo... A troca de integrantes, as pausas nas atividades, assim por diante. Mas com o Rock Alternativo influenciado pelo Post Punk e BritPop firmaram três anos de estrada em março de 2010. Reza a lenda que voltarão com sede de Rock e com formação quase original. Torço por isso.
                                                   formação antiga
Temos mais bandas, mas não vou comentar. Alguma provavelmente, eu me esqueci de citar e outras, é pelo simples fato de não me agradar os ouvidos mesmo.
Interessante que essas citadas tem muita coisa em comum... Os integrantes.
Elevadores é composta por Wesley, Henrique, Alex Orbit (Starfish 100), Eduardo Resende e André Oliveira. Eduardo e André foram, respectivamente, baterista e baixista da Miss Dorothy.
The Concept é composto por Augusto, Vagner, Robson e Henrique Almeida. Vagner é, atualmente, integrante do NoctVillains, Robson compõe o Minha Vida Nunca Foi Um PicNic e Henrique, integra o Elevadores.
E eu tenho a honra de dividir a organização de um evento quinzenal ao lado de Robson Gomes e Vagner Sousa, juntamente a minha esposa Karina e um amigo, Marcos. Estou falando da única festa Rock, ainda viva, no Itaim: DOPAMINE. De quinze em quinze sábados, nós trazemos diversas pessoas que querem ouvir uma boa música e se divertir entre tragos e confabulações.


Como diz o amigo Vagner: o Itaim Paulista é o primo pobre e rocker do Itaim Bibi, localizado no extremo leste de São Paulo. E daí que é longe? O importante é que temos coisas boas ainda e estão provando isso em casas como OUTs (R. Augusta), Inferno (R. Augusta), Café De La Rose (Sta Cecilia), Kabul (Consolação), FunHouse (Consolação), Livraria Da Esquina (Barra Funda) e uma porção de outras casas espalhadas por aí.

Festivais no Itaim estão parados. Mas sei que a vontade de voltar e colocar em prática tudo que já houve, ainda corre nas veias de cada um.


DADOS:
The Concept
Robson | Voz e Guitarra
Vagner | Baixo
Augusto | Bateria
Henrique | Guitarra

Elevadores
Wesley | Voz
Henrique | Guitarra e Voz
Alex | Guitarra
Eduardo| Bateria
André | Baixo

NoctVillains
Roxy | Voz
Vagner | Violão, Baixo e Voz

Minha Vida Nunca Foi Um PicNic 
Robson | Voz e Guitarra
(restante dos integrantes indeterminado ainda)

Miss Dorothy
Dimitry | Voz
Phá Bemol | Guitarra e Voz
Ebbios | Guitarra e Voz
André Gonzales | Baixo
Renato Zago| Bateria

DOPAMINE
Rua Canções Prelúdios, 549 – Itaim Paulista
Travessa da Av. Tiburcio de Souza
(em frente ao 50º DP)

ESTILOS MUSICAIS: Mod | Post Punk | New Wave | Guitar | Indie | Classic | Eletro Rock


NO FIM DAS CONTAS... tenho fé que tudo vai voltar a ser como foi... Melhor do que é.
;-)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

SUTIL REBELDIA REPENTINA

Abandonei os libertinos da taverna e parti para a casa. Não queria poetar, assim como não o quero agora.
Às vezes só precisamos dizer o que pensamos para dezenas de pessoas. Geralmente essa querença me possui quando almejo um palco.

Abandonei os libertinos, as tragédias e as lacunas. Preferi a marginalidade, a falta de métrica. Padrões me irritam. Não gosto de seguir regras demasiadamente. Assim como repudio tendências banais.

Fechei as portas do paraíso abrindo as da percepção. E ninguém mais vai me acompanhar nessa estrada de fogo. Pois eu sei quem eu quero que me leve pra casa.

Abandonei os libertinos que se lamuriavam por demais, se entorpeciam demais e não me diziam nada demais.
A casa, a solidão, são elementos que me restam. Não desejei carregar esse cajado. Mas, hoje, será assim... Só hoje.
Mais um cigarro... A última música... Respiro fundo...

A essa altura, eles já estão muito mais que ébrios. E eu não podia mais continuar na presença dos libertinos da taverna. Não mais.

Às vezes só precisamos dizer o que pensamos para dezenas de pessoas. Geralmente essa querença me possui quando almejo um palco. E como eu preciso dizer o que penso.

Estou retornando para a casa. Meu reflexo preso no espelho, me aguarda. Alguma novidade há de acontecer.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

HOMENS DE MAGNO

Os paladinos saíram para dançar a valsa infernal.
Depois, celebrarão a desgraça com alcool
E fornicarão por toda a noite.

Cai o inferno sobre nossos olhos.
Não devemos mais temer.
É tarde demais para pequenos caprichos.

Os paladinos fincaram suas lanças no chão...

A noite começa agora...
Enquanto pernas me acorrentavam com força
No mais intimo dos pensamentos, eu me deleitava de minhas inocências.
Entre ondas de sedução verde,
Entre hálitos fortemente alcoolizados,
Entre a penumbra
E entre lençois amarrotados,
Eu gozava junto a minha solidão profunda,
para muito além de minha sanidade,
muito além de qualquer moral,
Eu desfrutava de beijos verdes
sobre um corpo verde
que as vezes alçava voo num bater de velozes asas verdes
(...)

dimitry uziel
11 de agosto de 2010

sábado, 31 de julho de 2010

terça-feira, 20 de julho de 2010

Rock in Orbita



"Quem acha que na Zona Leste só tem pagode, está terrivelmente enganado. E quem não sabe que a Zona Leste, ao lado de Osasco e Guarulhos, é o berço da cena alternativa paulistana, está comendo bola. O Itaim Paulista tem historia pra contar no Underground, além de ser um bairro de personalidade e que tem sua própria cena musical e seu circuito de bares. Lá nasceram ou tem integrantes e muitas bandas que fizeram e fazem parte da historia do rock paulistano, como The Concept, Dance of Days, Haolies, Supersad, Miss Dorothy, Fino Tino, Discrepante, Vergaser, Elevadores, X-Devotion, Noctivillains e até o Starfish100.
E, lá você não escuta bába de FM. Você escuta Swerverdriver, Jesus and mary chain, Pale Saints, Telescopes, Tennage Fanclub, Afghan Wings, BRMC, Nada Surf e muita coisa que nem anda tocando por ai, e o 'people's' além de cantar junto, faz até espacate na pista e Mosh com pirueta. 
Por estes motivos e por muitos outros amigos queridos, que tenho imenso prazer e honra de tocar na DOPAMINE"


AlexOrbit 
| HotColdNights |

sexta-feira, 16 de julho de 2010

PALCO LÚGUBRE DE RECITAL

I
E as cortinas do theatro se abriram repletas de ternura.
Enclausurei-me em poesias e conspirações.
O palco era lúgubre
E o recital tinha potência.


Uma voz, ao fundo da sala, disse:
Tivera busto farto o corpo da noite
E fora amado e acariciado como
A face da morte.


No céu, estrelas eram prostitutas.
E meu carinho e objetivo era enaltecê-las
E conduzi-las a meu hilariante vício
Até então não saciado por mais belas que elas.


Não me poupo a Ofélias, tampouco a Julietas
Pois, Mariana saldou teu homem como bela anfitriã.
Com teu cálice de vinho tinto violou etiquetas
Enquanto teu amante te acariciava a virilha com os lábios d’alma pagã.


Ah, sim! Nada ali lhe era falso!
Nem os lábios, nem o amante.
Apenas o amor. Era falsa a paixão.
Como quem desespera promiscuo a própria posição.


Era necessário ali, alguém se deixar levar pelo transtorno; a insanidade.
Sanada seja recordação a pedinte vaidade!


II
Oh, lembrança torpe,
Que me intumesce a pele; poder mal elaborado.
Que ao limitar se rompe.
Converta-te do modo que lhe for adequado.


Assim prosseguia amor e exatidão esbanjadora
Sobre o palco híbrido da nova aurora.
E os atores em exaustão
Certificavam-se de que o prazer era transferido
Àqueles, sob imensurável dimensão.


Os homens eram profanos lá.
O desespero sucumbia à razão por cá.
Já que era hostil fruto.
E não havia Deus que deixaria de gargalhar
Sobre majestosos cinismos do ser; sinônimo do querer bruto.


Copulações foram erguidas em comunhão.
A muitos, todos ali eram hereges.
Para mim, não!
Era tudo tão mágico como o ser reage.
Não linear. Ousado. Magnífica celebração.


Vai! Atravessa os limites da tragédia e do cômico.
Não te contenha! Não te limita!
A alma não chega a ser nem mesmo o principio lógico.
Bravo àquele que reluta!


III
Anjos romperam a noite embalsamada.
Era bela a noite bem amada.
Nada de amarguras. Nada de rogo.
E dentre púrpuras legiões de fogo
O trono me fora anunciado como o empate a quem joga só seu próprio jogo.


Nem a hostil sibila das cátedras abandonadas
E das fartas catedrais não mais visitadas
Amedrontaria a alquimia do jovem
Que perde a vida por tão parco amor d’ontem.


Oh, belo palco lúgubre de recital!
Onde meretrizes e reis florescem
Num mesmo terno quintal.
Admiro-te muito por incansável orgia silente.
E que o suor vertente não limite
Amores prósperos ao descomunal requinte.




30 de janeiro de 2008
dimitry uziel

A MORTE DE MINHA MÃE

Belíssimo e por fim,
fora dado o corte final à matéria benévola
que a minha fronte deitara-se por completa.
Tal, repleta d'uma harmonia ora perfeita, ora descontenta.


Tal qual o cheiro acre das flores rudes que a rodeavam
E que volta e meia multiplicavam-se.
Enfim, lá estava sobre teu leito finito.
Como se assim, uma missão houvesse cumprido.


Tua face macilenta, teu corpo cheio,
Dormia docemente num recinto embalsamado
Por um aroma já bem conhecido.
Que complementava a razão de um auto-retrato.


Belíssima era, por fim, entregue à corte dos não vivos
Que nos fitavam do além.
Entre tristeza, palavras, tentativas de consolo, orações e lágrimas,
Velava-se o corpo já desalmado de minha mãe.




20 de abril de 2007
dimitry uziel

Uma Pitada de ARTE de Outro Mundo

Um pouco de insanidade àqueles de ampla visão.


Poucos conhecem a arte, ora sutil e simples, ora demasiadamente detalhada, de Etriel.
Eu a acompanho há mais de treze anos; desde os riscos disformes de caneta Bic em folhas pautadas de caderno até os dias presentes, com a evolução da tecnologia.
E, após anos, vemos que isso... É só o inicio de uma jornada fantástica.



Aquele que ousa, tudo pode!!
dimitry uziel

terça-feira, 13 de julho de 2010

DOPAMINE Fourth Party LOST GENERATION

FOURTH PARTY

MOD | GLAM | POST PUNK | NEW WAVE | INDIE | CLASSIC | ELETRONIC

Dj's
DIMITRY 
ALEXORBIT (HotColdNights)
ROB SON
+ SORTEIO DE TATUAGENS by Jeff Tattoo

No telão: Shows, documentários, clipes e filmes clássicos...


ORKUT: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?origin=is&uid=10317776511188745211
INFO.: dopamineparty@gmail.com

terça-feira, 6 de julho de 2010

LÓTUS PARTY


Dia 17 de Julho, às 22h00 estreiará um novo espaço para o Rock
LÓTUS PARTY

Com a banda de Rock Alternativo ELEVADORES, lançando o single "Tramando"

DJ's
INDIE | GUITAR BAND | MADCHESTER | BRITPOP | 90’S | ELECTRO ROCK

Alexorbit  (CB - FIFTY-FIFTY)
Mauro Bertolino  (PARTY PEOPLE)
Dimitry  (DOPAMINE)

Entrada:
Man: $$10
Woman: FREE até a 1h

LOCAL
Café de la Rose
Rua Amaral Gurgel, 48
(a 5min. da Estação de metrô Sta. Cecilia)

domingo, 27 de junho de 2010

DOPAMINE Third Party

THIRD PARTY
MOD | GLAM | POST PUNK | NEW WAVE | INDIE | CLASSIC | ELETRONIC


Dj's
SERGINHO  |  DIMITRY  |  ROB SON   e   convidados

No telão: Shows, documentários, clipes e filmes clássicos...


Info.: dopamineparty@gmail.com

segunda-feira, 21 de junho de 2010

DOPAMINE Second Party - The Damage is Done

SECOND PARTY
MOD | GLAM | POST PUNK | NEW WAVE | INDIE | CLASSIC | ELETRONIC



Agora você nao precisa mais atravessar a cidade pra
ouvir um bom Rock e tomar uns tragos. Finalmente uma opção para
a galera da região leste! muito Rock a um preço inacreditavel e o som
é coisa fina! O local alem de confortavel, tem um dos melhores espaços
para fumantes de Sampa!

Dj's
SERGINHO - DIMITRY - VILÕES NOTURNOS
+ Exposição de fotos by Sabugo Sordi


No telão: Shows e filmes classicos...

Info.: dopamineparty@gmail.com

terça-feira, 8 de junho de 2010

dopamine

Nova festa quinzenal para aqueles que apreciam o bom rock.

60's | 70's | 80's | 90's | 00's
Mod
Glam
Post Punk
New Wave
Darkwave
Indie
Eletronic
e mais...

logo traremos novidades.
Por enquanto, informamos que a pré-estréia dopamine será 12 de junho de 2010.



local: rua Canções Prelúdios, 549 - Itaim Paulista (travessa da av. Tiburcio de Souza)
(antigo Vixe Maria)
Em frente ao 50º D.P.

sábado, 8 de maio de 2010



Quando ele expõe sua arte com uma específica intenção, mas olhos alheios a deslumbram com outras percepções, podemos ter a certeza de que o que se vê vale a pena.

deixar uma escuridão ao redor, a luz de centro os ilumina.
troncos de árvores os acolhem como num abraço único.
e tudo é absorvido pelos quatro elementos.
Guerra entre bem e mal; luz e trevas?
Não!
Sempre há mais que uma simples idéia indagativa.


texto: dimitry uziel
arte: phá bemol

das coisas que eu não entendo

E quando tudo parece estar entrando nos eixos, o anormal consome a noite e as palavras.
Nenhuma condição de vida se compreende por completa. E, quando a fala é silêncio, a escrita toma forma, dizendo tudo aquilo que não faz sentido. E o que é real, fica por trás de um muro qualquer, na distancia dos barrancos escuros; na tortura do recife recôndito.
E quando tudo parece estar entrando nos eixos, nada é o que parece ser. E as palavras, já consumidas pelas anomalias do presente, são, agora, lacunas corroídas pelo estranho aninhado sobre meus ombros.

Sendo assim, nada é o que parece ser... nem nós.


dimitry uziel

segunda-feira, 3 de maio de 2010

pha bemol



Alguns nascem para um suave deleite;
outros, para os confins da noite.

Psicodélicas, inocentes, insanas, claras e belas, são as qualidades que as telas ostentam. Entre borras de café e o mês agosto; robôs e meninas em mundos mágicos; entre contorcionistas e homens de lata, Pha Bemol cria seu mundo tão particular e, mostra sua personalidade inconfundível.


http://www.phabemol.blogspot.com/

e quando cores azuis surgirem nos pincéis limpos, a tela não estará mais em branco.

dimitry uziel

quarta-feira, 28 de abril de 2010

tela em branco

tentar dizer o que eu sou
com a ponta limpa do pincel.
deixar em branco o que restou.

da sua frase que roubei
tomei açucar e o mel
com o azul pra completar

meus pés estão na água
e os olhos do espelho
enxergam além do que se pode ver

estou alto demais
e não consigo mais descer.
a aquarela acabou e eu não soltei o seu balão

eu vou criar
um mundo paralelo
numa tela que eu possa pendurar
no corredor de um sonho bom

tentar dizer o que eu sou
com a ponta limpa do pincel.
deixar em branco o que restou

nenhum retrato é tão igual
aquele que eu não terminei.
culpa (do) tempo se atrasou.

raphael lopes e dimitry uziel

terça-feira, 23 de março de 2010

Eles querem um jeito simples de tecer os fios da vida; Tramas raras num rastro de teias soltas.
Eles querem novos ares de uma vida eterna, sem espaço ou pausa.
Quando o calor abafa as salas, eles saem para um deleite repleto de requinte e frustrações.

Nós os fitamos assim, meio de soslaio, com olhos sonolentos e invisíveis, daqui, de onde dá para ver as aranhas tecerem suas varias casas vazadas nos arredores do fim do mundo.
Somos espiões... e ninguém pode nos ver.

dimitry uziel

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Sasseron, abençoado?


Juliano Sasseron, um engenheiro agrônomo bon vivant. Amante da literatura e fascinado pela Sétima Arte, onde começa a desenvolver alguns projetos. Acredita que compor é uma boa ventura, uma paixão.
Juliano é autor da obra Crianças da Noite (Ed. Novo Século, 2008).
Além de todos esses itens, é a simpatia em pessoa. Um sorriso tímido sempre estampa em sua face. Em 2009 publicou Esplendor, um magnífico conto na antologia TERRITÓRIO V (Ed. Terracota). Com 18 anos, Sasseron deu vida ao seu primeiro livro, Abençoado?. Porém, não publicado nos papeis (ainda não). Mas agora ele disponibiliza esta obra em e-book para quem admira a literatura fantástica.

Abençoado? está disponivel para download no link:

Esse rapaz vai longe!!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Impressões de um lançamento duplo

Fui um dos primeiros a chegar. Só saí quando o Ademir me expulsou. rs... (brincadeira)
Quando cheguei, algumas pessoas já estavam acomodadas em cadeiras de madeira e confabulavam. Elenir Alves e Ademir Pascale estavam a postos, dando boas vindas aos co-autores.
Logo após minha chegada, junto a minha esposa, Karina Uziel, pude ver Georgette Silen se aproximar. Logo tivemos o gosto de apreciar em mãos o filho de 22 escritores. Lá estava, sobre a mesa do BARDO, POE 200 ANOS, ao lado da misteriosa obra de Ademir Pascale, O DESEJO DE LILITH.
Não percebiamos, mas logo a casa estava ficando pequena com a chegada de outros autores, convidados, fãs e amigos escritores.
Assim que cheguei, Ademir me falava: "– Dimitry! Fica a vontade, arruma um lugar. Pois logo isso aqui vai lotar!" Não imaginei que isso fosse acontecer tão rápido (rs).

Logo podiamos nos deleitar com a presença de pessoas magnificas como M. D. Amado que chegava com sua mochila preta pendurada nos ombros. Alguns amigos chegaram em seguida. Sem que nos dessemos conta a casa estava cheia e eu nem pude descer para fumar um cigarro.
Podia-se ouvir risos e conversas "indistintas". E flashes incessantes brilhavam no local. Maurício Montenegro logo se apresentou com sua caneta a mãos e sob a presença do filho Gustavo (garoto de uma inteligencia que dá medo) rs.
Frank Bacurau ficou um bom tempo no mesmo lugar conversando e autografando livros que surgiam de um e de outro. Mas logo podiamos vê-lo à mesa, matando a fome, com o prato forrado (rs).
Alícia Azevedo logo veio me cumprimentar com um sorriso exuberante. Trocamos dedicatórias e partimos para lados opostos para ver mais daquela noite. Luciana Fátima chegava acompanhada do marido (eu acho), fotografando tudo e todos, de uma maneira que fazem bem. Juliano Sasseron deu o ar da graça, surgindo pela escadaria que levava ao salão onde acontecia o evento. Falava com um amigo aqui, outro ali, pedia um autógrafo cá e outro lá. Conversamos pouco, mas o suficiente para ter certeza da pessoa maravilhosa que ele é. Mais amigos chegavam e a casa ficava cada vez menor. Adriano Siqueira com sua camisa vermelha tardou mais compareceu. Infelizmente não tive a honra de trocar algumas palavras, apenas um sinal de cumprimento de longe. Mas estava lá. Miguel Carqueija, o prefaciador da obra não poderia faltar. Uma hora podiamos vê-lo conversnado com um ali, outra hora com outro aqui, daqui a pouco, outro lá. E Duda Falcão que nunca estava em um ponto fixo. Tirava fotos, fotos e fotos. isso quando não estava dedicando algum livro. Mariana Albuquerque com sua beleza ímpar, passeava sorridente pelo recinto. Kathia Brienza foi a última que vi chegar. Mas não demorou para se confraternizar. Senti a falta de algumas pessoas. Mas tudo bem...
A noite foi ótima!! E me parece que todos sairam muito satisfeitos do lançamento das obras POE 200 ANOS e O DESEJO DE LILITH.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"O INSUPORTÁVEL É QUE NÃO HÁ NADA QUE NÃO SE POSSA SUPORTAR!
AS PAREDES ME SUSSURRAM AOS OUVIDOS VERDADES QUE PESSOAS JAMAIS NOS DIRIAM.
E NÓS NUNCA ESTAMOS SÓS QUANDO ESTAMOS EM NOSSA PRÓPRIA COMAPANHIA.
OS RELÓGIOS, NO CÔMODO AO LADO, RECITAM POEMAS CHEIOS DE TÉDIO E ESTROFES REPETIDAS.
E NADA SERÁ IGUAL AO SEGUNDO PASSADO. POIS COMEÇAMOS A MORRER NO EXATO MOMENTO EM QUE NASCEMOS.
NA VERDADE, NEM NASCEMOS. APENAS COMEÇAMOS A MORRER. MAS QUE SEJA TERNO TODO O PROCESSO NESSE MEIO TEMPO DE FALECIMENTO".

by dimitry uziel

 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

DRACULEA II - O Retorno dos Vampiros


Ademir Pascale, no ano de 2009, teve a ideia de reunir um grupo de pessoas que revelassem os segredos dos vampiros na obra Draculea: O Livro Secreto dos Vampiros. O livro foi um sucesso e muitos leitores se deliciaram com os segredos revelados, mas, o que eles não imaginavam, era que Eles poderiam retornar das tumbas, Transilvânia e dos esconderijos mais sombrios da Terra. Agora Eles estão por toda parte, procuram vingança, estão revoltados e furiosos como nunca.

Na edição anterior (Draculea - O Livro Secreto dos Vampiros), Ademir selecionou com competência cada texto que lhe foi enviado para figurar a obra. Essa, não será diferente.
A antologia reunirá diversos autores.
Para obter maiores informações e/ou regulamento, acesse o link da obra:


Link da comunidade da antologia “Draculea 2: O Retorno dos Vampiros”: www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=98580147 - Participe.


Mais uma vez, meus sinceros parabéns Ademir!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

RUAS

Anjos e demonios as têm como abrigo.
Ácido oculto, crianças, garotos e garotas, jogos, todos pertencem a elas.
– Fique um pouco mais.
As ruas são aconchegantes.
Os números têm apenas se estendido.
Ruas são bosques que nunca morrem.
Ruas são solitárias sob a noite; tristes oferendas à deuses de plástico.
Compreendam-nas sem medo e único abrigo.
Pois sem elas, nada somos.

Enola é a solidão das ruas.
E nelas, Enola renasce...
Imaculada!
09/05/2004
by dimitry uziel

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

UMA ALMA PENADA DO LADO DE FORA


Há uma alma penada lá fora que eles chamam de Deus. E eu não vou sair daqui enquanto ela não for embora!

Eu tenho máquinas fotográficas sem filmes, desenhos que não significam nada, memórias que me torturam. Eu tenho um olho que vê por mim e outro que só vê o que quer. Eu tenho uma bíblia rasgada que nunca li, quadrinhos sem balões que falam a noite inteira. Eu tenho um lado esquerdo e o outro é direito, mas ambos pairam no vazio e o esquerdo faz o que ninguém manda, já o direito é o mais errante. Tenho uma música do Cocteau Twins que me faz sangrar e uma do Dead Can Dance que nem sei onde está. Eu tenho uma televisão que liga sozinha durante a noite, um vizinho que pensa ser um pastor pela madrugada e um candomblé, que em frente minha casa, aos sábados à noite traz mil santos para gritarem em uma brincadeira de gangorra. Eu tenho uma garrafa de uísque vazia que não foi eu quem bebeu e outra de absinto que me faz ver fadas verdes sob o sol escaldante do mês de janeiro. Tenho LP’s do Doors, do Sisters of mercy e do David Bowie, do Velvet Underground, do Bob Dylan e do Cabaret Volteire, do Xymox, do Joy Division e do Bauhaus, do Rolling Stones, da Siouxsie, da Nico, entre outros que ficam em uma estante cinérea ao lado de uma vitrola quebrada. Eu tenho uma sombra que me persegue diariamente, mas no escuro, quando mais preciso de companhia, ela nunca está. Eu já falei da TV?
Eu tenho um telefone que toca incessantemente e quando vou atender, não tem ninguém na linha. Tenho uma caixa de fósforos que eu sei que nunca mais eu vou abrir; uma revista cheia de fotos de pessoas que se devoram com seus instrumentos inflamados e úmidos. Tenho medo, dor, fome, sede, saudade, tristeza, alegria, menos sono. Eu tenho um maço de cigarros com apenas um tabaco que vou tentar não fumar agora, só mais tarde. Tenho uma mãe que foi para praia, um irmão casado e outro dormindo longe de casa. Tem uma canção que não sai da minha cabeça e outra que não consigo lembrar o nome. Tenho 21 gramas para perder a qualquer momento. E aqui está o problema (se é que é um problema): eu tenho 21 gramas para perder a qualquer momento... e há uma alma penada lá fora.

by dimitry uziel