Céus de algodão branco derretem sutilmente sobre asfalto cinza. Rodovias iluminadas correm na contramão. Serpentes, vindas do gramado verde, morrem no meio-fio rubro, tingido pelo espesso sangue que jorra de corpos que ainda insistem em se manter fortes e eretos. Passados surgem no retrovisor, sempre sonolentos e em despedida.
A noite, vagarosamente vai descendo através dos algodões macios. Faróis, placas e fios de alta tensão estão de partida, e cada vez mais distantes.
Dimitry Uziel
Junho de 2016