quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Após tempos, deitado em horas mortas, eu, fugitivo das manhãs cadentes, reclinei o peso da vida sobre a janela do inferno. Despejei todo o mau líquido pelo jarro do olhar, agraciado pela companhia ausente.
Companhia ausente...
A ausência passeia graciosamente por ruas ensolaradas, se deita a beira de verdes rios e espera, inconscientemente, em areias brancas de praias vazias.
A ausência não deduz minha existência, nem me fita pela janela de seu paraíso artificial.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

PostPunk made in Brazil


Em plena madrugada de 24 de setembro de 2011, acontecia mais uma edição da festa alternativa Dopamine e, ali, pouco antes de eu entrar para discotecar, na pista, eu fui presenteado pelo amigo Vagner Sousa (Noctvillains) com a coletânea De Profundis, lacrada, linda e com aroma de nova...

DE PROFUNDIS – Brazilian Post Punk Compilation é o que traz a belíssima capa ilustrada pela escultura de Luiz Brizzolara, que retrata uma singular tristeza contrastada pelos prédios que a cercam. Quando falamos sobre tristeza, pode nos parecer trágico, a primeiro instante. Porém, nem sempre ela carrega consigo esse significado. Podemos enquadrá-la na tão magnífica posição de inspiração. Quantos músicos, poetas, cronistas e pintores não foram embriagados por um triste minuto solene para nos brindar com uma obra de arte?
Pois bem. Este é um disco que corrobora que após anos, aqueles que viveram ou apenas foram influenciados pelos anos 80, continuam numa busca infindável de manter aquela obscura e poética chama acesa.
Aqueles que ficaram adormecidos ou embarcaram numa leva de conhecimento por novas bandas (por mais que antigas) e, hoje, se esquecem de colocar o velho Bauhaus nas caixas de som... Bom, essa é a hora de despertar. Por ora, creio que todos já descansaram o suficiente. A chama está acesa e, ainda há muito para queimar.
Após nove anos, da ultima compilação, De Profundis, novamente traz um trabalho de qualidade, coeso, como já era de se esperar, com algumas bandas que surgiram há pouco, mas com a experiência de muito tempo na estrada e, outras, pioneiras na cena Post Punk made in Brazil.
E, sem sombra de dúvidas, esse é aquele tipico disco que colocamos no som do carro, no mp3, no discman ou gravamos numa fita k7 para ouvir enquanto se passeia pelas estranhas ruas de São Paulo ou uma ótima trilha sonora para a elaboração e a escrita de um livro que acaba de sair da gaveta, após anos esperando sua reconstrução.


Enfim... Nas últimas horas, tenho escutado apenas esse álbum. E, creio que ainda o escutarei mais. Pois não estou falando "simplesmente" de uma união de várias bandas. Falo de uma minuciosa escolha de sons, com esmero, que vai do simples e muito bem trabalhado violão às perturbantes e deliciosas batidas eletrônicas que só uma onda dark sabe fazer. 

A coletânea traz:
The Tears of Blood
Elegia
Wintry
The Downward Path
Broken Days
Noctvillains
Persephone Eyes
Escarlatina Obsessiva
Ecos D’alma
Disciplina Urbana
Modus Operandi
Glassbox
Igreja do Sexo
Vultos
Segundo Inverno
Nene Altro e o Mal de Caim
Baudelaire
Lupercais
Pompas Fúnebres
Sinfonia do Acaso


O disco pode ser encontrado na loja Baratos Afins: Av. São João, 439 - 2º andar - Lojas 314/318 – São Paulo
ou pela internet: www.baratosafins.com.br

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Instante


Ocioso e cético como as pedras nas praias frias
Sob um tímido sol de inverno.
Quando os tempos nos são severos
E ninguém entenderá
Tranco-me num mundo que ainda é capaz de me suportar

No resto dessas verdades que todos se negam a escutar
Eu também não ouso me apegar
Mas as espreito com olhar lacrimoso
E a boca ressequida

As noites têm sido grandiosas, prolongadas
E existe aqui uma falta daquilo que nunca conheci.
Um abismo aveludado, macio
Que traz a ilusão de bem estar.

Não hei de partir hoje
A saliva que escorre dos lábios sedentos me fará rastejar.
E, se por ventura, algum destino me quiser acolher
Que seja para não me abandonar.

Pois sei que no escuro
Há de raiar um lúbrico beijo da solidão.
E desse agridoce conheço cada toque
Como o meu próprio corpo.

O descanso desse peito
Que parece se negar a pulsar no próximo instante
É o reflexo dos meus fantasmas que me suportam
Tão entediados quanto eu...
A espera do salto livre.


Dimitry Uziel