quarta-feira, 13 de julho de 2011

Instante


Ocioso e cético como as pedras nas praias frias
Sob um tímido sol de inverno.
Quando os tempos nos são severos
E ninguém entenderá
Tranco-me num mundo que ainda é capaz de me suportar

No resto dessas verdades que todos se negam a escutar
Eu também não ouso me apegar
Mas as espreito com olhar lacrimoso
E a boca ressequida

As noites têm sido grandiosas, prolongadas
E existe aqui uma falta daquilo que nunca conheci.
Um abismo aveludado, macio
Que traz a ilusão de bem estar.

Não hei de partir hoje
A saliva que escorre dos lábios sedentos me fará rastejar.
E, se por ventura, algum destino me quiser acolher
Que seja para não me abandonar.

Pois sei que no escuro
Há de raiar um lúbrico beijo da solidão.
E desse agridoce conheço cada toque
Como o meu próprio corpo.

O descanso desse peito
Que parece se negar a pulsar no próximo instante
É o reflexo dos meus fantasmas que me suportam
Tão entediados quanto eu...
A espera do salto livre.


Dimitry Uziel

segunda-feira, 6 de junho de 2011

DOPAMINE por Plinio Cesar Batista


A rua Canções Prelúdios, somente pelo nome, se estivesse fincada no Jardins, no Baixo Augusta ou até  mesmo na Vila Madalena, talvez chamasse mais a atenção das pessoas.
Mas o endereço fica bem distante desses centros movimentados de São Paulo, mais precisamente no bairro do Itaim Paulista, zona leste, e aproximadas uma hora e quarenta minutos de distancia, que foi o tempo que eu levei para chegar no numero 549, onde eu tocaria pela primeira vez numa festa que se chama Dopamine 80 mg.
Os organizadores do evento quinzenal, que esta prestes a completar um ano, Dimitry Uziel, Bathory Uziel e Robson Gomes, que também é guitarrista e vocalista do The Concept, conseguiram fazer de um lugar simples e sem luxo algum, em noites de magicas de sábados.
Isso porque o que prevalece lá  é a essência da boa musica e de pessoas que são amigas e estão ali para se divertirem e tocarem frenéticamente suas air guitars, sejam elas para as velhas ou novas obras musicais.
O resultado dessa química é surpreendente pois pode-se constatar que essa é uma festa onde se toca as melhores canções por hora dançada.
E o publico interage bastante, seja na hora de pedir musicas (muitas novidades entre elas), ou mesmo, não deixando a poeira baixar, como foi na hora em que o equipamento de som falhou e eles continuaram pulando e cantando em coro, transformando o local num grande karaokê indie.
O detalhe foi que as caixas abriram o bico justamente na musica Any Way That Want Me, do Spiritualized, uma das mais calmas da noite.
Outro fato importante a destacar foi a grande quantidade de pessoas jovens que não perdem seu precioso tempo criticando e falando mau do que não gostam e procuram saber e conhecer mais daquilo que gostam, sendo curiosas e perguntando nomes de bandas e das musicas que estavam sendo tocadas, como há  muito tempo eu não via durante minhas discotecagens.
Com muito rock a preços justos a Dopamine é uma ótima opção não só para o pessoal da zona leste. É  diversão garantida para pessoas de bom gosto musical de todas as regiões de Sao Paulo.

Dopamine @ Aniversario de 1 ano
Dia 18 de Junho de 2011
LineUp: Dimitry e Rob Son
+ Exposição de Artes by Phá Bemol & Lua Palasadany


Por Plinio Cesar Batista

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Essência Instigada

Falo do tempo como se ele não existisse
Como se fosse uma propaganda...
Uma propaganda enganosa e caluniosa.
Falo em demasia, em triste demagogia.

Um campo vasto, um lago raso, uma praia imunda.
A cidade transpira medo e prazer
Como se a delicadeza do lar não nos fosse apropriada
E fugimos noite após noite.

É essa nossa essência tão instigada
Essa nossa ânsia, essa sede nunca saciada
Que arrebenta o peito fraco que se recusa a pulsar
Quando a alma quer pela boca pular.

“A alma é essa coisa que nos pergunta se alma existe.”
E por essa e por outras indefinições tão ininterruptas
Que o suor verte nocivamente dos punhos, da face, dos pés.

Nossa vida... Nossa vida é nos convencermos sobre nosso próprio sentido.
(Acho que é)
O rumo pouco importa
O que interessa é a chegada.
A partida, a gente nem percebe...
Quando olhamos pra trás... Já foi.

Entre as sobras do que nos resta
Sempre nos falta algo.
É como não estar completo.
Como se soubéssemos o significado do preenchimento.

Entre as sombras que nos cercam
E nos recepcionam com sorrisos felinos
Existe uma lacuna imensurável entre os dentes.
São elas que nos abarcam pela manhã.

Pode me guardar com teu pranto,
Gargalhar quando burlesca for a arte.
Pode gritar no mais alto e desafinado tom do canto
E se indagar sobre a violência da morte.

A juventude é bissexual.
Isso é indubitável.
É o som, é a fúria.

A natureza parece ser algo que só não deu certo para quem deixou morrer o ontem.
Essa é a verdade.
E a verdade é dúbia.

 Dimitry Uziel

DOPAMINE #18 | The War Is Over

esboço




terça-feira, 3 de maio de 2011

Budapeste

Na primavera reclinei meu corpo,
Lembrei de minha vida.
Poderia ter sido um sonho.
Mas preferi o sono.
Não posso dedicar meu mundo ao tempo.

Admirei a folhagem verde,
A chuva ácida, a lentidão das coisas.
A fábula materializada, tão colorida e grandiosa dentro de tão pequenos olhos.
É abril.
As estações mudaram.
Vamos para Budapeste?!
Ainda guardo as cores de Paul Klee.
Vamos! Lá estaremos mais próximos de sua essência.
Vamos olhar pela fresta do mundo um céu Húngaro.

Dimitry Uziel

Delírios

Dos campos verdes às ruas fétidas, a alma já está perdida no primeiro piscar de olhos.
Contenta-te com um sol morno, a fria sombra de calor e um brilho eterno que te guardam num plano maior.
Dos Fartos banquetes à mesa vazia da fome, do sagrado amor ao grande ódio, a fúria não se contêm.
Essa temporada ligeira no estranho presente só intensifica os medos dos maiores medos.
Porque buscar um sol eterno onde reina o desconhecido se o prazer de não estar é maior que amores distantes?

Dimitry Uziel
O que vemos é apenas aparência
Debruçados sobre uma autobiografia,
Uma janela quebrada, com vista para o ontem.