especial de 1 ano
terça-feira, 14 de junho de 2011
DOPAMINE #21 | edição de aniversário
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dopamine
segunda-feira, 6 de junho de 2011
DOPAMINE por Plinio Cesar Batista
A rua Canções Prelúdios, somente pelo nome, se estivesse fincada no Jardins, no Baixo Augusta ou até mesmo na Vila Madalena, talvez chamasse mais a atenção das pessoas.
Mas o endereço fica bem distante desses centros movimentados de São Paulo, mais precisamente no bairro do Itaim Paulista, zona leste, e aproximadas uma hora e quarenta minutos de distancia, que foi o tempo que eu levei para chegar no numero 549, onde eu tocaria pela primeira vez numa festa que se chama Dopamine 80 mg.
Os organizadores do evento quinzenal, que esta prestes a completar um ano, Dimitry Uziel, Bathory Uziel e Robson Gomes, que também é guitarrista e vocalista do The Concept, conseguiram fazer de um lugar simples e sem luxo algum, em noites de magicas de sábados.
Isso porque o que prevalece lá é a essência da boa musica e de pessoas que são amigas e estão ali para se divertirem e tocarem frenéticamente suas air guitars, sejam elas para as velhas ou novas obras musicais.
O resultado dessa química é surpreendente pois pode-se constatar que essa é uma festa onde se toca as melhores canções por hora dançada.
E o publico interage bastante, seja na hora de pedir musicas (muitas novidades entre elas), ou mesmo, não deixando a poeira baixar, como foi na hora em que o equipamento de som falhou e eles continuaram pulando e cantando em coro, transformando o local num grande karaokê indie.
O detalhe foi que as caixas abriram o bico justamente na musica Any Way That Want Me, do Spiritualized, uma das mais calmas da noite.
Outro fato importante a destacar foi a grande quantidade de pessoas jovens que não perdem seu precioso tempo criticando e falando mau do que não gostam e procuram saber e conhecer mais daquilo que gostam, sendo curiosas e perguntando nomes de bandas e das musicas que estavam sendo tocadas, como há muito tempo eu não via durante minhas discotecagens.
Com muito rock a preços justos a Dopamine é uma ótima opção não só para o pessoal da zona leste. É diversão garantida para pessoas de bom gosto musical de todas as regiões de Sao Paulo.
Dopamine @ Aniversario de 1 ano
Dia 18 de Junho de 2011
LineUp: Dimitry e Rob Son
+ Exposição de Artes by Phá Bemol & Lua Palasadany
Por Plinio Cesar Batista
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Essência Instigada
Falo do tempo como se ele não existisse
Como se fosse uma propaganda...
Uma propaganda enganosa e caluniosa.
Falo em demasia, em triste demagogia.
Um campo vasto, um lago raso, uma praia imunda.
A cidade transpira medo e prazer
Como se a delicadeza do lar não nos fosse apropriada
E fugimos noite após noite.
É essa nossa essência tão instigada
Essa nossa ânsia, essa sede nunca saciada
Que arrebenta o peito fraco que se recusa a pulsar
Quando a alma quer pela boca pular.
“A alma é essa coisa que nos pergunta se alma existe.”
E por essa e por outras indefinições tão ininterruptas
Que o suor verte nocivamente dos punhos, da face, dos pés.
Nossa vida... Nossa vida é nos convencermos sobre nosso próprio sentido.
(Acho que é)
O rumo pouco importa
O que interessa é a chegada.
A partida, a gente nem percebe...
Quando olhamos pra trás... Já foi.
Entre as sobras do que nos resta
Sempre nos falta algo.
É como não estar completo.
Como se soubéssemos o significado do preenchimento.
Entre as sombras que nos cercam
E nos recepcionam com sorrisos felinos
Existe uma lacuna imensurável entre os dentes.
São elas que nos abarcam pela manhã.
Pode me guardar com teu pranto,
Gargalhar quando burlesca for a arte.
Pode gritar no mais alto e desafinado tom do canto
E se indagar sobre a violência da morte.
A juventude é bissexual.
Isso é indubitável.
É o som, é a fúria.
A natureza parece ser algo que só não deu certo para quem deixou morrer o ontem.
Essa é a verdade.
E a verdade é dúbia.
Dimitry Uziel
terça-feira, 3 de maio de 2011
Budapeste
Lembrei de minha vida.
Poderia ter sido um sonho.
Mas preferi o sono.
Não posso dedicar meu mundo ao tempo.
Admirei a folhagem verde,
A chuva ácida, a lentidão das coisas.
A fábula materializada, tão colorida e grandiosa dentro de tão pequenos olhos.
É abril.
As estações mudaram.
Vamos para Budapeste?!
Ainda guardo as cores de Paul Klee.
Vamos! Lá estaremos mais próximos de sua essência.
Vamos olhar pela fresta do mundo um céu Húngaro.
Dimitry Uziel
Delírios
Dos campos verdes às ruas fétidas, a alma já está perdida no primeiro piscar de olhos.
Contenta-te com um sol morno, a fria sombra de calor e um brilho eterno que te guardam num plano maior.
Dos Fartos banquetes à mesa vazia da fome, do sagrado amor ao grande ódio, a fúria não se contêm.
Essa temporada ligeira no estranho presente só intensifica os medos dos maiores medos.
Porque buscar um sol eterno onde reina o desconhecido se o prazer de não estar é maior que amores distantes?
Dimitry Uziel
O que vemos é apenas aparência
Debruçados sobre uma autobiografia,
Uma janela quebrada, com vista para o ontem.
Debruçados sobre uma autobiografia,
Uma janela quebrada, com vista para o ontem.
terça-feira, 12 de abril de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
...o silêncio
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.
Chico Buarque
sábado, 12 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Metrópole
Essa noite fui acolhido pela nostalgia das culturas invisíveis, das artes sujas, da plástica mundana. Fui, nessa noite, arrebatado pela beleza cosmopolita da cidade poluída. Missas, política, grafite, fotografias, gravatas e bermudas surradas. Um gosto agridoce no paladar falido. Os mendigos risonhos se misturavam e camuflavam entre doutores carrancudos. Meu semblante atônito perante a tantas informações nebulosas, outras perfídias, causou pânico ao reflexo da nostálgica persona desta noite de comemoração.
Céu limpo, estrelas cadentes após a rápida garoa, esperança de bonança. Nada demais, apenas nostalgia. Tudo muito simples, perspícuo, pavoroso e belo.
Aqui, dentro de mim, aparentemente, a indiferença reina. Lá fora, a metamorfose dos quatrocentos e cinquenta e sete anos é evidente. Eis a cidade de alterações constantes. Aqui, nada dura por muito tempo, não há tempo de envelhecer, nos restam apenas as fotografias, as lembranças e a nostalgia.
Parabéns São Paulo, por aquilo que se possa parabenizar.
“Encorajo minhas pernas e mãos à toda essa patriotice.”
Dimitry Uziel
25/Jan/2011
Nenhuma mulher e nenhum homem está devidamente preparado para a verdade. Isso pode levá-los a morte.
Nenhuma mulher e nenhum homem está, de fato, preparado para morrer de verdade.
Dimitry Uziel
sábado, 22 de janeiro de 2011
Ele.
Para mim. A história das minhas loucuras. Há muito me gabava de possuir todas as paisagens possíveis, e julgava irrisórias as celebridades da pintura e da poesia moderna.
Gostava das pinturas idiotas, em portas, decorações, telas circenses, placas, iluminuras populares; a literatura fora de moda, o latim da igreja, livros eróticos sem ortografia, romances dos nossos antepassados, contos de fadas, pequenos livros infantis, velhas óperas, estribilhos ingênuos, ritmos ingênuos.
Sonhava com as cruzadas, viagens de descobertas de que não existem relatos, repúblicas sem histórias, guerras de religião esmagadas, revoluções de costumes, deslocamentos de raças e continentes : acreditava em todas as magias.
Inventava a cor das vogais! - A negro, E branco, I vermelho, O azul, U verde. Regulava a forma e o movimento de cada consoante, e, com ritmos instintivos, me vangloriava de ter inventado um verbo poético acessível, um dia ou outro, a todos os sentidos. Era comigo traduzi-los.
Foi primeiro um experimento. Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens.
A. Rimbaud
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